Projeto Sapoti avante!!

Por Uiara Martins

O tema gastronomia embora muito comum e intrínseco ao quotidiano do homem virou moda na última década no contexto mundial e, no Brasil, especialmente nos últimos cinco anos. Esse interesse despertado pela literatura, pela canais de televisão, pelo turismo, pela indústria cinematográfica, dentre muitos outros meios, é fruto de um novo olhar dado as cozinhas, ao produtos locais, as receitas tradicionais, impulsionado pelo advento da globalização e da industrialização dos alimentos que trouxeram diversas ameaças de desaparecimento das gastronomias tradicionais.

O primeiro movimento contrário a essas ameaças foi o reconhecimento da gastronomia como património imaterial pela Unesco, seguido da inscrição de algumas cozinhas como património da humanidade, como por exemplo a cozinha mexicana e a francesa. A criação do movimento Slow Food na Itália também contribuiu para valorizar a qualidade dos alimentos e sobretudo os produtos locais.

Nesse contexto, foi acrescentado a função biológica/nutricional da gastronomia, uma dimensão cultural. É verdade que essa dimensão sempre existiu, mas ficou muito tempo adormecida em famosas obras de Levi Strauss , Máximo Montanarri, Câmara Cascudo, dentre outros.
A gastronomia ficou conhecida como um elemento cultural, que representa e identifica os povos e que permite diferenciar-nos e reconhecer-nos face a outras culturas. E foi nesse sentindo que ela passou a ser promovida no contexto mundial, através do turismo, de meios de comunicação, como uma marca do local. E nessa perspectiva emergiram também diversas ações de proteção e valorização dos alimentos locais, que favoreceram a preservação de culturas tradicionais, bem como a afirmação dessas internacionalmente.
No Brasil, embora a gastronomia esteja vivendo esse momento de ascensão, ela ainda é pouco explorada e refletida na sua dimensão cultural. Quem sabe o que está comendo, a história dos pratos e produtos e sua evolução na cozinha brasileira, especialmente na sua região que atire a primeira pedra! São pouquíssimas as pessoas que se aprofundam nesses assuntos! Sabemos diferenciar o que é típico, do que não é, mas não nos perguntamos porque eles são típicos e o que eles querem dizer sobre nós. Essa não é uma tarefa fácil, porque a gastronomia não é um elemento estático, ela evolui junto com o homem, se adequa a novas situações, absorve os encontros culturais.

É nesse sentido e com essa preocupação que o projeto sapoti vem retomar suas atividades em 2016, tendo consciência de que o estudo da gastronomia como cultura é muito abrangente, aborda diversos temas (autenticidade, identidade cultural, sustentabilidade, etc). Contudo ao longo desse ano trataremos cada um desses temas de forma prática, trazendo discussões através de vídeos, podcasts, textos, do quotidiano gastronómico das regiões Norte e Nordeste, de modo a que juntos possamos compreender como a gastronomia se traduz em cultura, através dos saberes de comunidades, do modo de produção, dos rituais que envolvem o consumo dos alimentos, dentre muitos outros fatores.

02. maio 2016 by admin
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