Memória de se comer.

Por Thiago das Chagas

 ”Quem gosta de comer, e não apenas de se alimentar, come muito com a memória”. Sábias são as palavras proferidas pelo maior crítico de gastronomia que Portugal já teve, o David Lopes Ramos (1948 – 2011).  Durante minhas andanças Além – Mar, eu tive o prazer de tê-lo como “avaliador” em um dos Restaurantes que trabalhei, o 2780 Taberna…. a ver:  Critica Jornal Público, Portugal.

Mas, o assunto aqui é outro, perpassa pelo inconsciente e transcende a realidade. Ui! Também nada de malassombro, talvez junte um pouco de fome, mas só ratifica a afirmação do saudoso David. Quantas vezes me pego desejando um prato… Comendo um Goulash em Budapeste na Hungria, ou mesmo um Japonês aqui em Pau Amarelo. Não sei se por conta do ossos do ofício mas venho expressar a minha revoltante incapacidade de me teletransportar. Esta incompetência me pouparia algo em Omeprazol e, em saliva.

Ontem, porém, durante a realização de um evento de aniversário de uma cliente, eu, quem fui presenteado. Resolvi matar a saudade da amiga Cabo Verdiana, Sandra Almeida, e usar como inspiração em um dos pratos servidos, aquele que é seu cartão de visitas, o tradicional “Caldo Mancarra”, de amendoim mesmo (fio condutor do brasileiro Xinxim de Galinha) . O prato, apesar de Guineense, sempre, juntamente como a alegria, perfumava sua casa nos dias de festa.

“Sandruxa”, para os íntimos, diga-se de passagem, é uma das melhores cozinheiras em atuação em Portugal. Vejam só ela no Festival ‘Sangue na Guelra’, realizado em Lisboa no inicio de Abril deste ano, ao lado de feras do El Celler de Can Rocca e Noma… digam se não tenho absoluto direito de ter minhas úlceras?

 

Abaixo, segue minha singela homenagem à querida Sandruxa.

 

Perna de galinha, amendoim em suas texturas, milho e cebola.
Foto: Araujo, Márcia 2014.

 

 

 

27. abril 2014 by admin
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