Parabéns ao nosso projeto Sapoti! 2 anos

Por Uiara Martins

 O Sapoti, hoje, está de parabéns, porque completa dois anos de vida! Mas este projeto começou a desabrochar bem antes nas mentes brilhantes do chefe Thiago das Chagas e da professora Lourdes Barbosa. Quando fui convidada para me juntar à equipe, não pensei duas vezes, principalmente porque a proposta do Sapoti é dar a conhecer aquilo que a minoria da população brasileira conhecia: a essência da gastronomia brasileira.

Mas esse cenário mudou durante estes dois anos, o Brasil evoluiu muito ao nível da gastronomia, do interesse da população não só em apreciar os pratos, mas sobretudo em conhecer a sua origem. Os livros, os artigos científicos, as tese publicadas, a promoção feita sobre a nossa culinária, tanto a nível nacional como internacional, são parte deste crescimento. Para além dos chefes de cozinhas que a cada dia se revelam mais criativos e também interessados em confeccionar a “nossa moda”.

Procuramos, nestes dois anos de Sapoti, colaborar com esse crescimento e temos consciência que é só o começo. Mas começamos bem! O projeto Sapoti vem promover aquilo que ainda é rarefeito na relação povo brasileiro x gastronomia brasileira: conhecimento e  reflexões sobre tudo aquilo que comemos e o que somos através da comida.

Já vi muitos estudiosos destacarem que fundamentar a gastronomia brasileira nas heranças de um passado colonial estava ultrapassado, que a gastronomia brasileira recriou-se, reinventou-se, foi adaptada etc. Mas acredito que esqueceram um detalhe importante: a herança dos povos que por aqui passaram e formaram a base da cozinha brasileira não foi só em receitas, mas em ingredientes e técnicas.  E não só por esse motivo, mas por diversos outros não deve ser esquecida.

Concordo que nossa gastronomia tem, hoje, uma gama de receitas e pratos, que são fruto da criatividade e do jeitinho brasileiro de cozinhar, mas nada disso anula todo o processo histórico que tem por trás de cada um dos pratos ou dos ingredientes que os compõem. Neste contexto é que defendo que todos nós temos que conhecer as raízes da nossa culinária para entendermos a evolução a que estamos chegando.

Quantas pessoas acham que o coco é uma fruta brasileira, que o leite de coco é um produto africano? Pois o que muitos não sabem é que o coco foi uma fruta trazida pelos portugueses da Índia e que o uso do leite de coco no Brasil foi também adaptação portuguesa pela carência de leite de vaca.

E o mito da feijoada, que era comida de escravo? Se você tiver a oportunidade de conhecer um dia Portugal e visitar alguma família que esteja fazendo matança de porco, você terá a certeza de que não sobra nada, tudo é aproveitado. E que a feijoada já era uma receita confeccionada em Portugal.

Estes são pequenos exemplos da grande dimensão que envolve a história da gastronomia brasileira.  Procurei citá-los para dizer que não estamos fora de moda por começarmos pelas raízes, mas estamos agindo corretamente, porque não queremos tirar de você algo que é do seu direito, conhecer a base da gastronomia brasileira e a sua evolução.

Comprometemo-nos aqui a evoluir junto com a gastronomia brasileira, mas seguindo todo o contexto histórico, cultural, social e econômico que a envolve, promovendo reflexões concretas sobre a nossa alimentação, que tanto representa quem somos e de onde viemos.

 

 

21. julho 2013 by admin
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