Comida Pirata

Por Thiago das Chagas

 

E na Copa, hein? Mobilidade, superfaturamento, segurança, cursos de mímica? Nunca achei que esses seriam os principais problemas a serem enfrentados pelo Brasil. Penso, seriamente, em largar tudo, o que, convenhamos, não é lá grande coisa, ou melhor, é nada mesmo, e montar uma empresa para alugar uns banheiros químicos.  A Diarreia do Viajante, que se trata de uma toxinfecção alimentar que acomete uma média de 30% dos viajantes, sempre me vem à mente. Seus principais fatores de riscos se dão pela confrontação dos hábitos alimentares do viajante e da população local, da estação do ano (verão) e pelo consumo de alimentos vendidos por ambulantes. Ou seja, se durante a Copa seus órgãos olfativos detectarem um aroma não tão habitual, que dependendo em qual cidade moras pode até passar despercebido, lembre-se disso.

Mercado São José em Recife-PE. Foto: Joelma Romão.

Mercado São José em Recife-PE
Mercado São José em Recife-PE. Foto: Joelma Romão.

Mas para os que têm a cozinha dentro de si, encontrar um ambulante de comida equivale à felicidade do pinto avistar o lixo. Meia dúzia de países asiáticos, Marrocos e Brasil são daqueles lugares certos que podem ser degustados inteiramente através das suas comidas de rua, que já foram mais que testadas e aprovadas pelo seu povo, daí ser conhecida como comida popular. E é justamente aí onde se encontra o melhor custo-benefício/oportunidade na relação comida-banheiro químico (de preferência, lógico).  Outra relação exitosa, vista comumente aqui no Brasil, e não muito usual de se escutar, é a da comida de rua com a música, também de rua, digo, aquela praticada e consumida na “ilegalidade”, a pirata.

A comida de rua, que é um termo que identifica os alimentos (comidas ou bebidas) prontos para consumo que são vendidos na rua, assim como a música é capaz de denotar toda a singularidade de um povo, seus costumes e tradição e tem como fatores propulsores  preponderantes para o seu crescimento, em parte no Brasil, o aumento do desemprego atrelado ao empobrecimento da população. No caso específico da música, ainda há a oportunidade/necessidade de criação de uma rede de distribuição alternativa ao modelo proposto pelas grandes gravadoras.

Pirataria é a apropriação, reprodução e utilização de obras (escritas, musicais ou audiovisuais) protegidas por direitos autorais sem devida autorização. Desta forma, baixar vídeos na internet, produzir, vender e comprar DVDs piratas são atividades classificadas como crime pela lei de nosso país, tanto pelas leis federais quanto pelas estaduais. Já as comidas de rua também transcorrem o caminho da ilegalidade. Se dificilmente encontramos restaurantes legalizados, com alvará de funcionamento em ordem, com um plano de segurança alimentar implementado…, imagina a situação dos ambulantes.

Venda ilegal de CDs

Venda ilegal de CDs

O próprio mercado musical e gastronômico, impulsionados pelo surgimento das novas tecnologias, como não poderia ser diferente, está  em constante evolução. O que seria do Itunes ou do tecnobrega de Belém do Pará sem a disseminação da pirataria?  A comida, apesar da sua invariável necessidade física, também vem, cada vez mais, fazendo uso da rede, seja, por exemplo, através deste genial catálogo de comidas de rua do Rio de Janeiro (http://www.gastronomiaderua.com.br)   ou por alternativas como estas: http://atorta.com/, em SP.

Feijoada Tia marlene. Fonte: http://www.gastronomiaderua.com.br

Ambas as atividades, tanto a comida quanto a música de rua, são em parte mantidas por toda uma estrutura formal de poder, da esfera pública à privada. Como se perpetua por tanto tempo o comércio na 25 de Março? Nos últimos tempos, quantas marcas novas de espetinhos prontos para o consumo têm avistado nas gôndolas dos supermercados? Aqui, em Recife, até uma Metalúrgica (http://www.mervil.ind.br) se especializou na produção e venda de carrinhos de comida adaptados ao gosto das especialidades gastronômicas local: carrinho de tapioca, espetinho, caldo de cana e até carrinhos com suportes para panelas de barro para venda dos já famosos caldinhos pernambucanos.

Carrinhos PDV. Fonte: http://www.mervil.ind.br

 

Entretanto, todo este grande Circo de Soleil só é possível principalmente porque dificilmente se conseguirá reproduzir a experiência, não só de sabor, mas também a de toda  atmosfera do comer na rua, da poluição que defuma e do suor que aguça a fome. O jeitinho brasileiro é coroado quando toda a família senta-se na sala para assistir ao recém-lançamento de um filme que ainda está em cartaz.  No Direito, um Princípio, o da Adequação Social, vem atenuar a consciência dos usurpadores da Lei. Versa que determinada conduta que seja socialmente aceita ou adequada não deva ser qualificada ou equiparada a um crime. Amém!

05. maio 2013 by admin
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