Gastronomia com História e com Memória para o Turismo Brasileiro!

 

Me impressiona o poder que a comida tem em despertar os cinco sentidos do homem e nessa sensibilidade ativar a sua memória, fazendo-lhe recordar pessoas, histórias, momentos, dentre muitas outras coisas.

Esta minha reflexão de hoje foi exatamente fruto de uma dessas experiências. De férias em Fortaleza, na casa da minha mãe, fui comer um baião de dois com pequi que ela havia feito. De imediato o cheiro da comida me deu uma alegria enorme, mas o que mais me tocou foi que, ao experimentar o baião, começou a passar um filme na minha cabeça de momentos que eu já tinha vivenciado em tornno daquela comida. Daqui surgiu a ideia do texto de hoje, com foco na atividade turística.

Nesse contexto, pensei como as histórias contadas a partir da gastronomia típica de um local podem revelar ao turista muito do contexto social, cultural, histórico e econômico do destino visitado. Refleti ainda como a gastronomia também poderia funcionar como um elemento que permite ao turista recordar as experiências vividas num destino, não somente a partir do simples ato de comer, mas a todos os fatores que a interligam.

Acredito que cada um de nós deva ter uma história dessas para contar, em que através da gastronomia podemos recordar patrimônios, pessoas, histórias de um local que visitamos.

Em visita à fábrica do queijo Roquefort na cidade de Roquefort no Sul da França, pude vivenciar uma experiência assim. A visita guiada pela fábrica chama sempre atenção para aspectos histórico-culturais da cidade desde o seu nascimento, dos seus habitantes, interligando estes fatores com a criação da receita do queijo. É impossível hoje olhar para um Roquefort e não me recordar da beleza daquela pequena cidade, do ar puro que podíamos respirar naquela imenso espaço verde e do modo como nos foi apresentada a história da cidade e a comunidade local, a partir de uma visita na fábrica.


Experiências como essa acontecem em vários destinos que desenvolvem a gastronomia como produto turístico, em contextos diferentes, por exemplo na região de Assam na India, que é famosa pelos chás e promove o Assam Festival Tea. Nesse festival, os turistas podem interagir com os trabalhadores da plantação, ajudar na colheita, instalarem-se próximo as plantações e conhecerem outros atrativos que façam parte do destino.


A partir desse exemplos e de muitos outros que existem, penso como isso poderia se aplicar à realidade brasileira. Atualmente nossa gastronomia vem ganhando cada vez mais uma projeção internacional através de diversos contextos, como no caso do turismo. Apresentei no último texto dados da pesquisa do Ministério do Turismo que revelam posistiva a experiência do turista internacional com a gastronomia brasileira.

Neste contexto, porque não pensar em considerar esta aceitação por parte do turista e trabalhar a gastronomia como produto turístico,a partir de uma perspectiva histórico-cultural, que procure revelar que o Brasil é muito mais do que a feijoada, a caipirinha, o samba, as mulheres bonitas, o património de belezas naturais e culturais.
É muito simples, como diria minha orientadora Prof. Dra Maria Manuel Baptista: “É contar uma história e proporcionar uma vivência”. Essas vivência podem ser proporcionada através de rotas turísticas , festivais gastronomicos ou até mesmo de uma simples descrição em um cardápio de um restaurante.

Estive num restaurante(para turistas) em Fortaleza que servia um “prato típico” chamado “Quarteto Nordestino”, uma composição de carne do sol, paçoca e baião de dois. Para quem é desta região, estas comidas são muito comuns, entretanto grande parte dos turistas que visitam a cidade são de outras regiões do país ou do exterior e muito pouco sabem sobre o que aquele prato representa para o nordestino.

E verdade que, na prática, colocar histórias nos cardápios pode ser um pouco inviável, mas por que não contá-las em folders, nas toalhinhas de papel que podem ser colocadas a mesa…?

Há inúmeras formas de utlizar a gastronomia como fio condutor do contexto histórico, social e cultural do Brasil. O meu desejo é que elas possam ser exploradas e desenvolvidas com muita criatividade, para que a gastronomia brasileira seja reconhecida e valorizada pela sua riqueza em todos os aspectos: no sabor, na aparência, na história e na cultura!

Proporcionemos aos nossos turistas uma comida com história e com memória, que pode vir mais tarde a ser fruto de recordações, de fidelização do destino ou mesmo de passa-palavra para outros turistas.

 

Uiara Martins

08. julho 2012 by admin
Categories: Projeto Sapoti | 2 comments

Comments (2)

  1. Simple y contundente, que buen articulo. El poder de la memoria aleccionado desde la gastronomía, y usando como medio el turismo, para rescatar identidades y legados.

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