Transformando o Turismo Cultural e a Gastronomia em Industrias Criativas

 

No contexto atual o desenvolvimento das Industrias Criativas tem sido a opção de muitas economias mundiais. Isso porque a criatividade, a inovação, a cultura, a tecnologia são fatores que integrados em um só contexto, podem gerar um produto único e diferente dentro de qualquer mercado.

A lista dos setores que compõem as indústrias culturais cresce a cada dia mais, isso porque a criatividade tornou-se um diferencial em grande parte das indústrias, como é o caso da indústria turística. (Rogerson, 2006)

No processo de desenvolvimento do Turismo como setor das indústrias criativas, surge ainda o Turismo Criativo, que Richards e Raymond (2000) definiram como “o tipo de turismo que oferece aos visitantes a oportunidade de desenvolver seu potencial criativo através de participação ativa em cursos e experiências de aprendizagem que são características do destino de férias onde eles são realizados”.

Existe uma estreita relação entre o turismo cultural e o criativo, em que um complementa o outro. As experiências criativas nos destinos turísticos normalmente interagem com a cultura local, como é o caso da Nova Zelândia, que criou uma rede de empresas criativas que oferecem produtos locais para os turistas(www.creativetourism.co.nz.). Esta rede oferece uma gama de experiências criativas, incluindo escultura de osso, aulas de língua, tecelagem, gastronomia local, dentre outros. O foco está muito na aprendizagem experiências, com uma série de workshops práticos sendo executados pela população local. (Raymond 2007)

A gastronomia como produto turístico pode ser explorada de diversas formas e em contextos diversos, como em rotas turísticas, eventos gastronómicos, feiras, etc. Alguns países já são conhecidos por desenvolver como “produto turístico-chave” a gastronomia. É o caso, por exemplo, da França, que se revela como uma importante referência para outros destinos, não somente pela qualidade na produção dos alimentos e dos vinhos, mas com a sua tradição nas escolas culinárias, restaurantes de “alta gastronomia” e alguns gêneros alimentícios com grande representatividade, como os 246 tipos de queijos que produz e o patê de foie gras (Fagliari, 2005).

O uso da gastronomia como produto turístico pode ser uma mais-valia para qualquer destino, pois é um atrativo que na maioria das vezes não depende de fatores climáticos e cria uma ampla rede com indústrias, população local, fornecedores, produtores, etc. Deste modo o desenvolvimento deste produto é capaz de gerar impactos positivos nos segmentos económico e social de um país, região ou um local específico.

E no destino Brasil, como poderia ser ofertado esse produto de forma criativa, gerando desenvolvimento local nos níveis económico, social e cultural?

No âmbito do turismo cultural, a culinária típica brasileira surge como um produto em potencial, pela matriz histórico-cultural em que se desenvolveu e a qual lhe permitiu uma fusão que a torna única, e esse fator para a atividade turística é essencial.

A exploração da gastronomia como produto turístico no Brasil pode ser feita em diversos níveis, usando a criatividade tão marcada de seu povo.

Podemos encontrar diversos casos de sucesso pelo mundo da relação turismo- gastronomia e do seu desenvolvimento criativo através de rotas em contato com a comunidade local, produtores, fornecedores, de novas criações gastronómicas, dentre muitos outros.

Nós temos a criatividade nas veias, só nos falta criar os produtos e proporcionar através do turismo e da gastronomia mais benefícios a nível Econômico, Cultural e Social no Brasil!

Uiara Martins

 

 

Bibliografia Referencial:

Fagliari, G., 2005, Turismo e Alimentação, Roca, São Paulo.

Raymond, C. (2007) Creative Tourism New Zealand: The practical challenges of developing creative tourism. In Richards G. and Wilson, J. (eds) Tourism, Creativity and Development. London: Routledge, pp. 145-157.

Richards, G. and Raymond, C. (2000) Creative Tourism. ATLAS News, no. 23, 16-20.

Rogerson, C.,(2006) Creative Industries and Urban Tourism: South African Perspectives, Urban Forum, Vol. 17, No. 2, April-June, pp. 149-166.

27. fevereiro 2012 by admin
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