Eis o Ponto de Partida

 

Quando fui convidada para escrever para este projeto, eu revisitei alguns artigos já publicados e pensei em fazer algum link com o que já fora escrito. Chamou-me a atenção o artigo: Ponto de Chegada, onde o autor, Thiago das Chagas, fez breve histórico das principais cozinhas do mundo, didaticamente organizada por países e continentes. Deixando-nos felizes com a sensação da possibilidade do Brasil ser tratado com referência gastronômica no futuro, assim como a base francesa na gastronomia clássica ou, ainda, pelas contemporâneas influências hispânicas nos restaurantes mundo afora. Então, me peguei indagando-me: como as técnicas gastronômicas brasileiras vão ser tratadas futuramente, pelos acadêmicos nos principais cursos de gastronomia?

Primeiramente, temos de pensar na culinária brasileira dentro do Brasil. Sabemos que em um país miscigenado como o nosso, considerado uma espécie de país continente, as variações culturais são latentes. Logo, podemos encontrar as grandes variações gastronômicas por regiões, da mesma maneira como encontramos diferentes sotaques, crenças e valores, falados por um povo que (pasmem!) se comunica com a mesma língua portuguesa. Talvez por este fato, não me causou maiores espantos, em recente pesquisa realizada, constatar aqui em Pernambuco, que os turistas, advindos das demais quatro regiões do Brasil, desconheçam os principais pratos típicos do Estado (Fernandes, 2011). Preocupou-me, apenas, o fato do brasileiro saber identificar os principais pontos turísticos do país, mas sequer sabe mencionar um dos principais pratos típicos de Pernambuco, como a buchada de bode, por exemplo. Exagero meu? De forma alguma. Precisamos pensar que para alcançarmos o patamar de referência na culinária internacional (visto que potencial não nos falta), temos que arrumar a casa. O brasileiro precisa conhecer o Brasil Gastronômico. Ai, sim, já começo a sonhar com os estudos de Gilberto Freyre difundido pelas universidades de gastronomia mundo afora.

Para que este seja nosso ponto de chegada é necessário difundirmos mais a nossa cultura gastronômica aqui mesmo, dentro do nosso território. Não falo apenas no meio acadêmico, pois me parece que neste ambiente estamos bem preparados e caminhando positivamente. Mas, será que o brasileiro conhece a própria cultura? Falando, especialmente, dos leigos comensais e não dos acadêmicos. Tal pesquisa citada me proporcionou esta indagação. Em meio a tantas promoções turísticas voltadas para que conheçamos melhor nosso território, cabe espaço para a valorização do turismo gastronômico. Quando da oportunidade de visitarmos outro país nos deparamos, tantas vezes, com o sentimento de espanto diante as diferentes realidades culinárias. E este mesmo sentimento pode ser proporcionado entre as nossas regiões, visto que as diferenças são notáveis e tão ricas quanto as diferenciações de sotaque Brasil adentro.

Parece que talento e diversidade temos de sobra. Posso até afirmar, sem sombra de dúvidas, que seremos, sim, referência gastronômica em questão de alguns anos. Mas, antes que isto aconteça, me parece ser latente a arrumação da casa para que tenhamos orgulho e detenhamos o conhecimento, enquanto brasileiros natos, da nossa culinária. Caso contrário, a gastronomia brasileira não passará do modismo passageiro, nestes mesmos anos futuros, e não deixará a almejada marca de forte, tradicional e, preferencialmente, de referência para a base culinária mundial.

Fernanda Calumby Fernandes
Docente em cursos técnicos e universitários de Turismo, Hotelaria, Gastronomia e Meio Ambiente. Formação em Hotelaria, pela Univ. Federal de Pernambuco e Mestre em Desenvolvimento e Meio Ambiente, pela mesma instituição, quando pesquisou sobre segurança alimentar, culinária regional e turismo sustentável. .

Bibliografia Referencial:

CHAGAS, Thiago das. Ponto de chegada. In Projeto Sapoti, set 2011. Disponível em: < http://www.projetosapoti.com.br/?p=167>

FERNANDES, Fernanda Calumby. Segurança alimentar e culinária regional como fatores de turismo sustentável: análise do destino Porto de Galinhas, PE, Brasil. Recife: Universidade Federal de Pernambuco, 2011. Dissertação de conclusão do curso de mestrado em Desenvolvimento e Meio Ambiente.

29. janeiro 2012 by admin
Categories: Projeto Sapoti | 1 comment

One Comment

  1. Muito bem Fernandinha. Concordo com voce.Parabens!

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