Gastronomia e o Desenvolvimento Sustentável Local.

 

A constatação de que os recursos do planeta são findáveis levou ao Homem a pensar mais sua relação com a natureza e de como agir de forma a prejudicar o mínimo possível o equilíbrio entre o meio ambiente e as comunidades humanas e toda a biosfera que dele dependem para existir (Mebratu, 1997).  A industrialização baseada em progresso técnico e abundância de matérias- primas produziu um número infinito de problemas ambientais e sociais referidos como “custos sociais”. E, apenas durante as últimas décadas, a sociedade civil começou a resistir e a exigir a internalização dos custos ambientais causados pelas atividades econômicas.

Desta forma, apesar da dificuldade de se estabelecer um corpo conceitual único e sólido, o termo Desenvolvimento Sustentável tem ganhado dia-a-dia mais adeptos e encorajados, entretanto, este conceito transcende o exercício analítico de explicar a realidade e exige aplicações práticas. (Rattner, 1999).  Assim, empiricamente observa-se, que o uso racional de recursos escassos veio por exigir produtos e processos que estejam baseados na inovação, conservação e invenção de todos os tipos de produtos. Novas indústrias estão crescendo e se expandindo, seja pelo reflorestamento de grandes áreas degradadas, administração racional dos recursos hídricos. Entretanto, o uso racional de recursos escassos veio por exigir produtos e processos que estejam baseados na inovação, conservação e invenção de todos os tipos de produtos. Normas e incentivos vão assegurar a proteção dos seres humanos e a conservação do meio ambiente (como o “selo verde” e a norma ISO 14.000).

Uma transformação similar, embora mais silenciosa, está em andamento, na agricultura. Um número sempre crescente de consumidores está diminuindo o consumo de produtos alimentares industrializados, preferindo comida natural à base de fertilizantes orgânicos e controle biológico de pragas. Urge a concepção de um modelo sustentável de agricultura e gastronomia que respeite o meio ambiente, a identidade cultural e o bem estar animal, que leve em conta a defesa da biodiversidade alimentar e tradições gastronômicas em todo o mundo. (Comitê Internacional para o Futuro da Alimentação, 2006).

Neste contexto, a Gastronomia, vista como fenômeno social, cultural e econômico, pode representar um dos possíveis instrumentos para o Desenvolvimento Sustentável de uma Localidade. A associação entre Gastronomia e Desenvolvimento Sustentável é feita tomando como pressuposto que a atividade, ao passo que se apresenta como elemento decisivo da identidade humana, tem o potencial para salvaguardar, por meio das suas diferentes manifestações e ramificações (ingredientes, receitas, restaurantes), grande parte da cultura de um povo, de proteger e preservar espécies e sabores ameaçados, de movimentar a economia e gerar empregos. Entre as várias formas de identidade sugeridas e comunicadas pelos hábitos alimentares, uma que hoje nos parece óbvia é a do território: “o comer geográfico”, conhecer ou exprimir uma cultura de território por meio de uma cozinha, dos produtos, das receitas (Montanari, 2008, p. 135). O território constitui um valor de referência absoluta nas escolhas alimentares. Não há restaurante da moda que não ostente, como elemento de qualidade, a proposta de uma cozinha vinculada ao território e aos alimentos frescos de mercado. (Montanari, 2008, p.141). A cozinha de território, somente hoje alcançou um estatuto cultural forte, passando por uma trajetória como a da globalização alimentar, que parecia levar a resultados opostos.

A comida, então, pode se apresentar como elemento decisivo da identidade humana, como um dos mais eficazes instrumentos para comunicá-la e como uma alternativa imprescindível para o desenvolvimento sustentável de uma localidade.  Retratar toda uma tradição de um povo por meio e um simples mastigar é algo surpreendente e que deve ser estimulado. Ainda mais quando se pode ter como referência um país como o Brasil.

Thiago Das Chagas

Este texto está fundamentado em uma Disssertação de Mestrado da Escola Superior de Hotelaria e Turismo do Estoril – Portugal, intitulada: “A Sustentabilidade em Unidades de Alimentação: Estudo sobre um Restaurante de Cozinha Brasileira.”

Bibliografia Referencial:

Comitê Internacional Para 0 Futuro Da Alimentação, (2006). Manifesto sobre o futuro da alimentação. Disponível em: http://bit.ly/uuGtGu. Acessado em: 20/10/2011.

Montanari, M.(2008). Comida como cultura, Editora Senac, São Paulo

Mebratu, D. (1997). Sustainability and sustainable development: Historical and conceptual review. Environ Impact Asses Review. Vol. 18, p. 493-520.

Rattner, H. (1999). Sustentabilidade – Uma visão humanista. Ambiente & Sociedade, Vol. 5, p. 233-240.

01. janeiro 2012 by admin
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