Brasil de todas as cores, de todos os cheiros e sabores

As cores, os sabores, os cheiros… tudo é encantador na cozinha brasileira! Mas como isso foi possível? O que torna essa cozinha tão especial? Todos esses fatores estão ligados intrinsecamente à ciência da colonização portuguesa no Brasil. Mas atenção: não quero defender que tenha sido por causa dos portugueses que a cozinha brasileira tenha alcançado tal patamar, mas sim explicar que o modo como esse povo colonizou o Brasil permitiu-nos uma fusão de práticas, alimentos e temperos que foram essenciais para a construção da culinária típica brasileira.

Essencialmente o fator que interferiu na formação da cozinha brasileira foi o processo de hibridação, ou seja, a mistura das raças indígena, portuguesa e africana, que deu origem à primeira formação da sociedade brasileira. Esse processo de miscigenação encontra-se em muitos dos pratos da nossa cozinha. Essa troca cultural não se limitou somente a esses três povos, isso porque havia também outros povos, os quais contribuíram para a formação dessa cozinha de forma menos expressiva.

Pode-se dizer que a base da cozinha brasileira vai assentar-se nessas três culturas, portanto procuraremos sempre focar nelas, para construir aqui uma reflexão menos densa (menos teórica) das quais estou acostumada a fazer. Vamos procurar aqui pensar a história da alimentação brasileira da maneira mais prática, falando de ingredientes, pensado em receitas e trocando ideias do que faz um prato tipicamente brasileiro.

A história da alimentação brasileira, como muitas outras, é repleta de mitos, de certezas, de verdades, entretanto muito há para se descobrir ou reconhecer nessa alimentação. Será que você a conhece?

E seu eu lhe dissesse que a feijoada brasileira tem origem em um cozido judeu, que em Portugal transformou-se no cozido à portuguesa e, mais tarde, na feijoada transmontana, chegando a seguir ao Brasil! “Jamais a feijoada é comida de escravos”…etc..etc.. Talvez seriam poucos os que concordassem comigo. Entretanto não sei se sabem que uma das carnes mais apreciadas pelos portugueses é o porco, do qual se aproveita praticamente tudo na confecção de diversos pratos. Daí eu lhe pergunto: se esse é um alimento tão apreciado por esse povo, você acredita que seria distribuído aos escravos? O segundo detalhe é que o refogado e a folha de louro usada na feijoada também nos foram trazidos pelos portugueses. Índios e africanos não conheciam essa técnica. A carne seca ( de charque) também só chegou ao Brasil porque os colonizadores nos trouxeram o gado. Esses são apenas pequenos detalhes desse prato, que outro dia discutiremos com mais intensidade.

Entretanto o que quero chamar atenção é para que possamos olhar a nossa cozinha sem dar a ela donos. “ A Feijoada é do…” ,“o Vatapá é da …” , “A paçoca é do..” etc. Muitas das receitas produzidas no Brasil são um reflexo de uma fusão cultural que está marcada e que não pode ser ignorada. Por mais que tenhamos pratos com uma base(uma matriz) indígena, africana ou portuguesa, sempre iremos encontrar nessas receitas algum produto das outras culturas, fato esse normalíssimo para uma sociedade híbrida.

Esse texto é apenas o primeiro ingrediente de uma maravilhosa receita que vamos preparar, cheia de cores, cheiros e sabores e recheada de muita história.

Uiara Martins

31. julho 2011 by admin
Categories: Projeto Sapoti | 3 comments

Comments (3)

  1. Dá-lhe Ui!*

  2. A pesquisa na origem do alimento muito me encanta!

  3. Foooogo! Mais uma mentira que me contaram no colégio… então a feijoada não é resultado dos restos das carnes dos senhores “jogadas” aos negros-escravos. Mais uma pedacinho do meu mundo caiu! hehe Obrigada, Ui, por acrescentar mais cultura às nossas vidas! ;)

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